Escola Dominical

Licao-1---Para-bola-uma-lic-a-o-para-a-vida
Marcos 4:34 “E sem parábolas nunca lhes falava, porém tudo declarava em particular aos seus discípulos”

VERDADE PRÁTICA
As parábolas são uma forma instrutiva para se ensinar grandes lições, e delas podemos extrair as inspirações e os ensinamentos divinos para a vida cristã.

LEITURA DIÁRIA
Segunda — Mc 4.33: Jesus ensinava de forma clara
Terça — Mt 4.34: O Mestre ensinava por parábolas
Quarta — Mt 13.10-12: As parábolas e o Reino de Deus
Quinta — Mt 13.13-15: Fácil para uns, difícil para outros
Sexta — Mt 15.15,16: Os discípulos não entendem
Sábado — Mc 4.1,2: Jesus ensina uma multidão

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Mateus 13.10-17.
10 — E, acercando-se dele os discípulos, disseram-lhe: Por que lhes falas por parábolas?
11 — Ele, respondendo, disse-lhes: Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado;
12 — Porque àquele que tem, se dará, e terá em abundância; mas àquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado.
13 — Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem.
14 — E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis, E, vendo, vereis, mas não percebereis.
15 — Porque o coração deste povo está endurecido, E ouviram de mau grado com seus ouvidos, E fecharam seus olhos; Para que não vejam com os olhos, E ouçam com os ouvidos, E compreendam com o coração, E se convertam, E eu os cure.
16 — Mas, bem-aventurados os vossos olhos, porque vêem, e os vossos ouvidos, porque ouvem.
17 — Porque em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vós vedes, e não o viram; e ouvir o que vós ouvis, e não o ouviram.

INTRODUÇÃO
Quando estudamos as parábolas de Jesus, com os corações abertos e dispostos a aprender como discípulos verdadeiros, em busca de sabedoria e entendimento das verdades espirituais profundas, nos deparamos com as sábias lições que Ele nos deixou para sermos bem-sucedidos em nossa vida aqui no mundo. Estudar este conteúdo, como disse Jesus aos seus primeiros discípulos, é um privilégio: “Bem-aventurados são os olhos que veem o que vós vedes, pois vos digo que muitos profetas e reis desejaram ver o que vós vedes e não o viram; e ouvir o que ouvis e não o ouviram” (Lc 10.23,24). Assim, as parábolas do Senhor possuem preciosas promessas de bênçãos para todos quantos acolhem sua mensagem e se dispõem a compreender as verdades que elas ensinam.

I. O QUE É PARÁBOLA

  1. Conceito.
    Parábola, no hebraico mashal, dependendo do contexto, refere-se a um dito profético, um provérbio, uma analogia, um enigma, um discurso, um poema, um conto, um símile. Essa palavra ocorre aproximadamente quarenta vezes no Antigo Testamento, sendo normalmente traduzida como “provérbio”. A palavra grega traduzida como parábola, em o Novo Testamento, é parabolé, “por ao lado de”, com o sentido de “comparar” como ilustração de alguma verdade ou ensino. Nesse sentido, torna-se um instrumento didático. Ela é usada cinquenta vezes no Novo Testamento, sendo duas para indicar uma fala figurativa (Hb 9.9; 11.19) e quarenta e oito vezes traduzida no singular ou no plural, sempre se referindo às histórias de Jesus. Em síntese, parábola significa, literalmente, “comparação”, e como tal, comumente utilizada para indicar uma história breve, um exemplo esclarecedor para ilustrar uma verdade.

  2. Distinção entre a parábola e outras figuras de linguagem.
    A Bíblia Sagrada emprega várias figuras de linguagem que são necessárias para ilustrar verdades divinas e profundas. Algumas delas são o símile, o provérbio, a metáfora, a alegoria, a fábula e o tipo, e é importante não confundi-las com a parábola. É oportuno destacar que a parábola também não é um mito, tendo em vista que ele narra uma história como se fosse verdadeira, mas não adiciona nem a probabilidade e nem a verdade. Já a parábola ilustra verdades por meio de símbolos: “o campo é o mundo”, “o inimigo é o Diabo”, “a boa semente são os filhos do reino”, etc.

  3. Aplicação de uma parábola.
    Ao se dirigir aos discípulos e aos fariseus, seus adversários, Jesus adotou o método de ensino por parábolas com a finalidade de convencer aqueles e condenar estes. Em Mateus 13.10, os discípulos perguntaram a Jesus o porquê de Ele falar por parábolas. Jesus usava esse método em razão da diversidade de caráter, de nível espiritual e de percepção moral de seus ouvintes (Mt 13.13). Em Marcos 4.10-12, ao ser inquirido sobre o uso de parábolas, Jesus respondeu que as usava nos seus ensinamentos por duas razões distintas: para ilustrar a verdade para aqueles que estavam dispostos a recebê-la, e para obscurecer a verdade daqueles que a odiavam. Assim, para que a parábola seja explicada e aplicada, primeiramente é indispensável examinar sua relação com o que a precede e a segue, e descobrir, com base nisso, antes de qualquer outra coisa, a sua ideia principal.

II. CONTEXTO SOCIAL E LITERÁRIO

  1. Galileia no tempo de Jesus.
    A Galileia compreendia todo o território ao Norte de Samaria até ao Monte Líbano, estendendo-se de leste a oeste, entre o Mar da Galileia e o Mar Mediterrâneo e Fenícia. Situava-se nas grandes rotas comerciais que cruzavam o Oriente Próximo, e muitos estrangeiros atravessavam a área. A conservação de peixes pela salgadura e sua exportação para todos os lugares do Império Romano era a principal indústria. Era uma região muito mais próspera que a Judeia e abrigava uma grande população. Importante para a região era o mar da Galileia, um extenso lago de água doce, localizado ao norte da Palestina, também conhecido como mar de Tiberíades ou lago de Genesaré (Mt 4.18; Lc 5.1). Esse lago, que ficava cerca de 96 quilômetros ao norte de Jerusalém, ajudava a determinar o tipo de vida que se levava em toda a região ao derredor. As ocupações dos habitantes incluíam a agricultura, a fruticultura, a pecuária, o tingimento de tecidos, o curtume, a pesca e a fabricação de embarcações. Na Galileia, Jesus reforçou seu ensino com parábolas memoráveis, ilustrando o amor de Deus pelos pecadores, a necessidade de confiança na misericórdia de Deus, o amor que devemos ter uns aos outros, a maneira como a Palavra de Deus vem e o Reino de Deus cresce, a responsabilidade de o discípulo desenvolver seus dons e o julgamento daqueles que rejeitam o evangelho (Mt 4.23; 13.1-52).

  2. Jerusalém no tempo de Jesus.
    Jerusalém é uma das mais antigas cidades do mundo. É a mais sagrada cidade da Palestina e tem existido como cidade e como capital, além de lugar sagrado, há mais de três mil anos. À época de Jesus, Jerusalém contava com uma superpopulação, sendo que a maioria das pessoas estava desesperada em decorrência da opressão do Império Romano, da miséria, da opressão aos pequenos produtores que estavam praticamente falidos, tendo de pagar elevados impostos a Roma. Nessa época, grande parte da população dependia de esmolas do Templo. Enquanto o povo comum estava vivendo em situação de extrema pobreza, padecendo por terríveis privações, os grandes produtores, os grandes comerciantes e as famílias mais abastadas estavam satisfeitas com o sistema vigente controlado pelo governo de Roma. Diante desse contexto, o povo judeu aguardava com ansiedade o Messias que viria em glória, conforme profetizado por Zacarias (Zc 14.4).

  3. Contexto literário: os Evangelhos.
    Os quatro primeiros livros do cânon do Novo Testamento, chamados de Evangelhos, são os registros escritos das primeiras pregações das Boas Novas a respeito de Cristo. Eles constituem um tipo distinto de literatura. Não são biografias completas, pois não tentam narrar todos os fatos da carreira de Jesus; nem são apenas histórias; nem são sermões, embora incluam pregações e discursos; também não são apenas relatos de notícias. Os três primeiros Evangelhos — Mateus, Marcos e Lucas — são chamados sinóticos, termo que vem do grego synoptikos, que significa “ver junto”, “ver da mesma perspectiva”, “vistos de um ponto de vista comum”. Os Sinóticos apresentam a vida, os ensinamentos e a significação de Jesus do mesmo ponto de vista, em contraste com o Evangelho de João, o qual se limita quase inteiramente ao que Jesus disse e fez na área de Jerusalém.

III. COMO LER UMA PARÁBOLA

  1. Entendendo a narrativa como a síntese das experiências cotidianas.
    Uma das questões mais importantes ao ler uma parábola é procurar entender os elementos culturais operados em cada uma delas, pois apesar de elas serem uma síntese das experiências humanas, são histórias contadas a partir de outra cultura e tempo. Torna-se impossível entender as parábolas sem vinculá-las ao seu contexto social, pois elas se referem às experiências de pessoas que viveram na época de Jesus. Para tanto, torna-se necessário identificar a conexão com as estruturas daquela sociedade. Quase um terço dos ensinamentos de Jesus foi realizado através de parábolas. Ele contou parábolas sobre a natureza (Mt 13.24-30), trabalho e salário (Lc 17.7-10), e até sobre casamentos e festas (Mt 25.1-13). Jesus não falava de forma genérica acerca da busca de Deus pelo perdido, mas sempre através de histórias de experiências cotidianas, tais como a história sobre uma mulher que perdera uma de suas dez moedas de prata, e que não descansou até encontrá-la (Lc 15.8-10).

  2. Procurar as declarações explícitas e implícitas do agir de Deus no contexto literário.
    Tendo a parábola o objetivo de transmitir uma mensagem e, no caso específico, tal comunicação procede de Deus, é imperioso que o leitor procure as declarações explícitas e implícitas do agir de Deus em tal contexto literário. Somente após esse exercício é possível pensar na aplicação da parábola (Mt 15.15,16).

  3. Identificar a aplicação prática da parábola.
    Uma vez que a maneira predileta de Jesus ensinar era através de parábolas, tais textos contêm lições profundas e de aplicação prática no campo da ética e da vida espiritual das pessoas. Por meio de suas parábolas Jesus levou aos seus ouvintes a mensagem de salvação, conclamando-os a se arrependerem e a crerem. Aos crentes, desafiava-os a colocarem a fé em prática, exortando seus seguidores à vigilância. Quando seus discípulos tinham dificuldade para entenderas parábolas, Jesus as interpretava (Mc 4.13-20). Assim, uma boa maneira de identificar a aplicação prática de uma parábola é fazer as seguintes perguntas: Para quem a parábola foi contada? Por que a parábola foi contada? Qual é a moral da parábola? Existe algum ponto culminante na parábola? Alguma interpretação é dada na passagem para a parábola?

CONCLUSÃO
Não há como perceber, nem entrar, no Reino de Deus, sem ter nascido de novo (Jo 3.3-8), por isso, a salvação da alma é parte integrante das parábolas. Você já renasceu? Já se arrependeu dos seus pecados e confiou em Jesus Cristo e em seu sacrifício pelos seus pecados? Você conhece o Rei deste Reino? Seu coração já se prostra diante deste Rei? Ou vive em rebeldia contra Ele ainda? Os verdadeiros súditos reconhecem a soberania do Rei e submetem-se a ela.

PARA REFLETIR
A respeito de “Parábola: Uma Lição Para a Vida”, responda:
O que significa “parábola”?
O que, na Galileia, determinava o estilo da vida das pessoas?
Qual o significado de “sinóticos”?
Cite uma das questões mais importantes a ser considerada quando se lê uma parábola.
Quais são as perguntas necessárias para se identificar uma aplicação prática de uma parábola?

comments powered by Disqus